terça-feira, 12 de junho de 2012

Suicídio entre pessoas idosas: Introdução

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio vitima cerca de um milhão de pessoas no mundo por ano. Para a OMS, a violência autodirigida se manifesta de duas formas: no comportamento suicida (por meio de pensamentos, tentativa e pelo suicídio consumado) e por meio de atos violentos provocados contra a própria pessoa, como é o caso das mutilações.

As informações da literatura mostram que as estatísticas de suicídio se distribuem desigualmente pelo mundo, dentro dos países, entre os sexos e entre os grupos de idade. Por exemplo, no caso da dispersão geográfica entre os países, Japão e algumas sociedades européias ganham em relevância: suas taxas se assemelham às de homicídios no Brasil. No mundo como um todo, em números absolutos, os suicídios
matam mais que os homicídios e as guerras juntos. No Brasil, as taxas de suicídio são baixas se comparadas à da maioria dos países, oscilando entre 3,50 e 4,00 por 100.000 habitantes, contrastando com as de homicídio, muito mais elevadas.

O suicídio entre pessoas idosas constitui hoje um grave problema para as sociedades das mais diversas partes do mundo. Estudo realizado pelo WHO/Euro Multicentre Study of Suicidal Behaviour18 em 13 países europeus mostra que as taxas médias de suicídio entre pessoas com mais de 65 anos nessas sociedades chega a 29,3/100.000 e as de tentativas de suicídio, a 61,4/100.000. Além de os dados sobre autodestruição em idosos serem muito elevados, a razão entre tentativas e suicídios consumados é muito próxima, quase 2:1. Um conjunto de pesquisas, no mesmo sentido, leva a concluir que, quando uma pessoa idosa tenta se matar, há que se levar seu gesto muito a sério, pois é provável que qualquer tentativa redunde no ato de dar cabo à própria vida. De Leo et al18 ressaltam ainda que, na Europa Ocidental, as tentativas de suicídio entre pessoas idosas diminuem com a idade e, ao inverso, existe o crescimento de suicídio consumados. Esse aumento de suicídios consumados no fi nal da vida também foi  mostrado nos EUA, em pesquisa de Nock et al.

A população acima de 60 anos é a que mais cresce no Brasil e na maior parte do mundo, o que justifica um olhar atento para os problemas sociais e de saúde que a afetam. Segundo constatação de Beeston, “o crescimento das taxas de suicídio entre idosos indica que o aumento da idade se relaciona com processos biológicos e psicológicos que podem induzir a pessoa à decisão de se autodestruir”. Essa situação pode ser constatada inclusive no Brasil, onde, apesar de as taxas de suicídio serem relativamente baixas, as que se referem à população na faixa etária acima de 60 anos são o dobro das que a população em geral apresenta, principalmente devido ao aumento crescente das taxas relativas ao grupo de homens idosos.

Embora relevante, o suicídio de pessoas idosas tem merecido pouca atenção, não só no Brasil, mas no mundo inteiro. Não foram encontradas referências do Brasil ou países de língua espanhola sobre o suicídio entre idosos na base de dados SciELO, apenas sobre suicídio em geral: 340 referências de 1981 a 2009, sobretudo estudos realizados na última década.

O objetivo do presente estudo foi analisar fatores associados (doença mental, enfermidades físicas e
problemas sociais) ao risco de suicídio de pessoas idosas, a partir da literatura indexada nas bases de dados
nacionais e internacionais.

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